quarta-feira, 8 de julho de 2009

As acusações do ex-assessor da campanha Yeda, contra a Governadora e seus correligionários

POLÍTICA


De Zero Hora
Lair fala em reforçar sua segurançaAutor das denúncias levadas ao Ministério Público Federal em abril passado, o consultor Lair Ferst, 52 anos, foi pego de surpresa com a divulgação do documento. Amigos que estiveram com Lair revelam que a publicação do texto escrito por ele forçou-o a aumentar a preocupação com a segurança. Lair se refugiou em casa durante boa parte da segunda-feira, atendeu a poucos telefonemas e, àqueles com quem falou, teria manifestado temor e a adoção de medidas de proteção.

Procurado por amigos policiais, que o aconselharam a deixar a Capital, Lair teria dito que, mais do que nunca, estuda a hipótese, que já havia aventado em abril. O documento entregue ao MPF cita suspostas irregularidades envolvendo pelo menos 30 pessoas. O receio de Lair, segundo um confidente, é de que outros réus da fraude do Detran citados nas denúncias ao MPF descarreguem suas baterias contra ele no processo criminal que tramita na Justiça Federal de Santa Maria, em que Lair é considerado um dos principais personagens. Até a noite de ontem, a Polícia Federal não havia recebido nenhum pedido para protegê-lo.

Pessoas próximas a Lair revelaram a ZH que os telefones do autor das denúncias tocaram sem parar durante o dia inteiro: o bina de seu celular teria registrado mais de uma centena de chamadas, mas ele atendeu apenas ao advogado Lúcio de Constantino e a alguns poucos conhecidos, a quem confessou sua “surpresa” com a divulgação das denúncias e dos ofícios assinados por procuradores da República, com a sua rubrica sempre ao lado.

Mesmo a amigos, Lair tem mantido a mesma estratégia de não contestar a veracidade do material nem confirmá-la. Quem conhece Lair sabe que ele gosta de deixar sempre um mistério no ar. Questionado se confirma ou não uma eventual delação premiada, ele mantém a mesma postura: não diz sim nem não.

Uma de suas maiores preocupações, ontem, era a de não ser apontado como o autor do vazamento de informações. Ele teria feito questão de espalhar a informação de que não teve acesso ao documento com as assinaturas de procuradores e carimbos do MPF e da Procuradoria-Geral da República.

Segundo uma dessas fontes, ouvidas por ZH, ele teria creditado a divulgação das denúncias a opositores do governo de Yeda Crusius. Segundo uma outra fonte, o consultor estaria desconfiado de que a saída do material da Procuradoria-Geral da República foi facilitada pela troca ocorrida no comando do órgão, em 29 de junho. Foi para a Procuradoria, em Brasília, que integrantes do Ministério Público Federal enviaram, em 16 de abril, as denúncias de Lair, solicitando então as devidas providências. Só a Procuradoria tem competência para averiguar o suposto envolvimento de pessoas com foro privilegiado em casos de crime. O advogado de Lair, por meio de contatos que mantém em Brasília, tenta desde ontem junto à Procuradoria entender o que estaria acontecendo.

A íntegra das acusações

O que Lair Ferst escreveu na denúncia ao MPF

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